terça-feira, 22 de março de 2011

Aerogeradores voadores causam destruição na Penálvia

Cerca de 30 aerogeradores localizados na província de Hünsgenulst, na Penálvia, estão causando problemas para a população local, e amedrontam a comunidade internacional.

Segundo autoridades da Comissão para Energias Alternativas da Penálvia (CEAP), os aerogeradores saíram do controle por volta das 3 horas da madrugada desta terça-feira. De acordo com o agricultor Jöfred Meltunston, testemunha ocular do incidente, “depois de uma forte rajada de vento, os cata-ventos gigantes se soltaram do solo e saíram voando, destruindo tudo que viam pela frente”. De acordo com a Associação de Moradores da região, quatro casas foram destruídas pelos aerogeradores rebelados, mas não há informações de feridos nem de mortos.

Para Roger Abdülmansted, vice-presidente da CEAP, os cata-ventos, que continuam num voo incontrolável pelos céus da Penálvia, não representam nenhum perigo. No entanto, Fischoed Mischan, presidente da Agência Internacional de Energias Alternativas (AIEA), afirma que o incidente na Penálvia atingiu o nível 6 numa escala que vai de 1 a 7. O primeiro-ministro da Túrcia, país vizinho para onde os aerogeradores penálvios se dirigem, se diz com “medo pela população túrcia”, e que irá se “retirar do país imediatamente para o bem da nação”.

Um grupo de ativistas se reuniu hoje em frente à embaixada da Penálvia em Vlöstovis, capital da Túrcia, para protestar contra o uso de energias limpas que, segundo eles, “visivelmente põe em risco o bem-estar das populações humanas”.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Entre Homens e Lobos...

     Estava no meio do que parecia ser uma mata. Uma vegetação baixa cobria todo o chão, pontilhado de muitas árvores que lembravam pinheiros, só que mais desorganizadas, mais tortas, mais destrambelhadas, mais mal-encaradas, mais... mais feias. Um rio com quatro ou cinco metros de comprimento corria do seu lado direito. Suas águas eram de um azul claro e encantador, e algumas pedras apareciam aqui e ali, mostrando que o rio não era fundo. Alguns pássaros voavam e piavam bem alto no céu, tão alto que não era possível identificá-los. Uma névoa pairava perto do chão a uns cinquenta metros dali, a partir de onde só era possível avistar as sombras escuras das árvores e da vegetação.   
     Havia uma trilha estreita do mesmo lado do rio onde aquela pessoa estava. A trilha estava praticamente limpa e desobstruída de mato. Começou a segui-la.
     Após aproximadamente meio quilômetro seguindo o rio, a trilha sofria uma bifurcação: num lado continuava seguindo o curso do rio e noutro entrava pela mata, desaparecendo entre os pseudopinheiros. Teve a intuição de que, se seguisse pela mata, teria mais chances de encontrar alguém. Pelo bom estado da trilha, era bem provável que ela fosse de fato usada com frequência, e esse detalhe mantinha seu otimismo num nível bastante satisfatório. Portanto, adentrou na mata.
     Era bem mais fresco lá dentro, e após caminhar o que lhe pareceu uns quatro ou cinco quilômetros, decidiu deitar com as costas apoiadas num daqueles pseudopinheiros e dar um cochilo. Não foi nada difícil, dado o seu cansaço e a temperatura agradável e aparente tranquilidade na mata, e em poucos segundos estava num sono profundo. Longe do correr ruidoso do rio, era mais nítido dali o barulho dos pássaros cantando e, provavelmente, de alguns outros animais andando e conversando ali por perto.
     Alheio a tudo isso, o sol ia percorrendo seu caminho habitual no céu, calmo e sem nenhuma pressa, como que zombando dos pequenos planetas lá embaixo, acanhados e inofensivos. Mas, para a pessoa que naquele momento dormia tranquilamente sob a copa de um pseudopinheiro, o sol teve foi muita pressa naquele dia, porque, quando ela acordou, ele já havia ido embora, deixado-a sozinha ali, apenas com a companhia celestial da nanica da lua e das distantíssimas estrelas.
     A tal pessoa ficou muito brava e nervosa com o que tinha acontecido, como vocês podem imaginar, e culpou a tranquilidade bucólica daquele lugar pelo seu cochilo excessivamente prolongado. Estava muito escuro agora, e a luz refletida pela lua e a emitida pelas estrelas eram fracas demais. Decidiu, portanto, passar o resto da noite acordado (não sentia nenhum sono agora, em parte pelo cochilo longo e em outra parte pelo ódio que sentia daquela floresta calmante), e, quando o sol voltasse, continuaria sua caminhada em busca da civilização.
     Parecia realmente muito monótona a vida naquela floresta. Não surpreendia que a Humanidade houvesse há eras decidido derrubar aquilo tudo e substituir por cidades, superlotadas, sujas e perigosas, mas muito mais divertidas. Nada melhor do que isso. Só não conseguia imaginar como os animais conseguiam suportar toda aquela calmaria, e se perguntou se eles não deviam se sentir entediados, com o tempo. Então formou mentalmente uma imagem que considerou muito engraçada, e riu, só ali no escuro, de uma matilha de lobos, todos com cara de tédio, migrando para um descampado na mata e começando a construir ali casas e prédios, ruas e becos, e até o que parecia ser um pequeno shopping. Logo a cidade crescia, construíam pontes para atravessar o rio e linhas de metrô para atender à grande demanda da população cada vez maior de lobos civilizados. Pareceu-lhe bastante plausível que os animais selvagens fossem mais folgados que os humanos, e que, portanto, não estariam aptos aos esforços necessários para se usufruir dos benefícios e facilidades da vida na cidade. Aí começou a se perguntar por que estava pensando naquilo tudo, já que nunca fora filósofo nem usuário de alucinógenos.
     E assim o tempo passava, lenta e entediantemente, no meio daquele nada cheio de pseudopinheiros, com o silêncio sendo entrecortado apenas pelos semi-delírios, risadas e suspiros confusos da pessoa que protagoniza essa história. Estava ficando a cada minuto mais difícil esperar pelo nascer do sol, e nosso protagonista chegou a desconfiar até mesmo que os animais e o sol mantinham contato regular, e que estavam mancomunados contra ele por tudo o que havia pensado sobre os animais, e por isso o sol estava tão relutante em aparecer no horizonte.
     Agora a pessoa já estava tão cansada que não tinha disposição nem para filosofar sobre a preguiça dos animais selvagens, e achou que seria melhor assim mesmo, já que, se o sol realmente estivesse do lado dos animais, o melhor seria mesmo parar de insultá-los sistematicamente.
     E parece que aquele pensamento mais amigável deu resultado, porque quando menos esperava o sol deu as caras, iluminando com suas inúmeras explosões de hidrogênio toda a mata em que, naquele exato momento, animais eram insultados e um ser humano perdia definitivamente a paciência. Porque segundo depois do nascer do sol e do momento exultante vivido pela pessoa que preenche essas páginas, o improvável acaso de um pássaro aliviar suas necessidades excretoras exatamente sobre a cabeça do único ser humano no raio de algumas centenas de metros aconteceu. Foi aí que essa pessoa perdeu definitivamente a já pouca tolerância que sustentava com certa dificuldade e esforço mental. Xingou de todos os nomes que julgava ofenderem os pássaros em geral, já que não podia determinar com exatidão a espécie autora daquela obra.
     Passado o momento de desabafo, achou que seria melhor começar logo a caminhada. Queria chegar o mais rápido possível à civilização e se livrar logo daquele fedor insuportável de natureza, árvores, animais e excremento de ave.
     Começou a caminhar. Andava o mais rápido que suas pernas cansadas permitiam. A trilha continuava boa, o sol brilhava alto e quente, e as árvores refrescavam. Agora nem pensava mais naqueles estúpidos animais, e certo otimismo, seguido de alívio, percorreram seu corpo quando avistou uma cabana de madeira no topo de uma colina, atravessada na trilha. Era uma cabana bem-feita e bonita, para uma cabana. Por uma pequena chaminé no teto saía uma coluna de fumaça acinzentada que subia até uns oito metros acima do telhado de maneira relativamente agrupada e depois se desfazia, como uma família que tenta dividir a herança.
     Resolveu bater na porta da cabana, que era incrivelmente baixa, não devendo ter mais que um metro e meio de altura. Deduziu que ali deveria morar uma família de anões ou coisa parecida.
     Dentro da cabana reinava quase que um completo silêncio, mas logo após a batida na porta pôde ouvir latidos excitados vindos lá de dentro. Surpreendeu-se com aquilo, mas depois pensou que a família de anões deveria gostar de levar a vida no meio da natureza bem a sério.
     A porta foi aberta. Um lobo desejou-lhe bom-dia e perguntou o que estava fazendo ali. Lá no fundo, uma matilha, reunida em volta de uma mesa, parecia discutir as melhores alternativas à energia elétrica para um funcionamento mais ecofriendly de um shopping center. Depois disso, não se lembrou de mais nada.

domingo, 2 de janeiro de 2011

A Hospedeira, de Stephenie Meyer


Li esse livro com o simples objetivo de fazer uma experiência literária. Ou seja, peguei um livro da Stephenie Meyer que não fosse da saga Crepúsculo para ver se me agradava o estilo dela. Evidentemente, já ouvi várias pessoas falarem bem da série, mas a ideia de vampiros românticos e altruístas sempre me deixou desconfiado. No fim, a minha experiência foi, digamos, variada e quase decepcionante.
Quero dizer, o livro é bem razoável, e proporciona uma leitura agradável. Na verdade, o enredo e a história são excelentes, em certos momentos é tão emocionante que é quase impossível parar de ler. Entretanto, Stephenie Meyer mostra uma certa dificuldade em balancear a linguagem que ela utiliza. Em certos momentos, é tudo bem informal; mas em outros, ela lança mão de palavras e expressões extremamente arcaicas, dignas de livros de séculos atrás, o que não combina bem com a história d'A Hospedeira. Em resumo, é um livro desequilibrado, mas bom para se passar o tempo.
Ou seja, Crepúsculo... agora não.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Os Melhores e os Piores de 2010

Na falta de algo mais original para escrever, vou listar aqui os três melhores e os três piores programas da televisão brasileira neste ciclo de translação solar que vai passando pela 2010ª vez desde o nascimento de Jesus Cristo.
OS TRÊS MELHORES (foi difícil achar três programas bons)

1º lugar: CQC (Band). Sem dúvida alguma, na minha opinião o melhor de 2010 na TV brasileira. Com um formato original (no Brasil, já que copiaram algo idêntico na Argentina), o humor ácido e crítico, e a liderança impecável do inteligentíssimo Marcelo Tas, não teve pra ninguém. O tubo infecto ficou um pouco mais limpo e interessante com eles.
2º lugar: Programa do Jô (Globo). Apesar de ter assistido a esse programa pouquíssimas vezes, devido ao seu horário pouco favorecido, o senso de humor apuradíssimo de Jô Soares rende sempre bons programas. Mas nenhum jamais chegou (e dificilmente chegará, até que eu seja convidado a conceder uma entrevista) ao épico episódio com Eduardo Sterblitch, mais conhecido como o César Polivlho, do Pânico na TV.
3º lugar: Caldeirão do Huck (Globo). Juro que a minha opinião acerca deste programa é oscilante. Às vezes acho de um sentimentalismo excessivo e forçado, e rio das pessoas que dizem "chorar" ao assisti-lo. Outras, admiro a generosidade do apresentador Luciano Huck, que conserta carros e casas em troca apenas de audiência, fama e um salário milionário. Mas estou tentado a ser otimista: quem sabe ele realmente tenha um bom coração...

OS TRÊS PIORES (essa foi fáááááácil!!!)

1º lugar: Zorra Total (Globo). Sem sombra de dúvida, ninguém mais qualificado para ocupar este posto nada honrado. Com um humor antiquado, repetitivo, enjoativo, pastelão e, acima de tudo, SEM GRAÇA, o programa se mostra cada vez pior, e é incompreensível como algo TÃO ruim continua no ar. Já virou piada no Twitter, e sinônimo de incompetência e, se assim preferir, LIXO!
2º lugar: Domingão do Faustão (Globo). Apresentador mal-educado, irritante, petulante, arrogante, e ainda por cima MAGRO. O ano foi marcado por cenas traumatizantes protagonizadas pela sexagenária-que-teima-com-a-idade-e-que-atende-por-Suzana-Vieira, além de neologimos que transformaram o bullying em bulimia. Sem mais comentários...
3º lugar: O Melhor do Brasil (Record). Com atrações nada originais que incluem a tentativa sempre inútil de formar casais por meio de pessoas desocupadas que trocam o fim de semana por 50 reais, e um apresentador apelativo, que se veste de loira do Tcham (é assim que se escreve?) e dança na boquinha da garrafa para atrair a audiência de pessoas (qual o adjetivo pra isso? Hmmm... Deixa pra lá...), ocupa com orgulho o 3º lugar que tanto se esforçaram para conseguir.

Fica aqui registrada a minha modesta opinião. Por favor, comente e dê a sua própria opinião, se assim desejar!


domingo, 14 de novembro de 2010

Apelos de um sovina

Tinha ido ao shopping assim, sem grandes expectativas, como quando se vai dar um passeio qualquer, sem nenhuma importância particular. Estávamos eu, minha irmã e minha tia. Eram umas cinco da tarde, e fazia um calor desgraçado. No caminho para o shopping, tivemos que ouvir quatro ou cinco reclamações da minha tia sobre o fato de que poderíamos ter ido de carro, enfrentar enormes congestionamentos, aturar as buzinas de quem não tem grandes coisas com as quais se preocupar e levar o dobro do tempo para chegar, tudo para não cansar as pernas e os pulmões sedentário.

Chegamos, fomos andando, passamos por umas lojas, o preço era absurdo. Em outras, a coisa não era tão cara assim, minha tia experimentou algumas roupas, fingiu que queria ir ao banheiro e, sorrateiramente, saiu da loja, garantindo que iria voltar imediatamente.

Infelizmente, não tivemos a mesma sorte mais tarde. Após dar uma rápida e econômica passagem numa livraria, voltamos à maratona das roupas. Nesse momento, já estava me perguntando o que eu estava fazendo ali. Depois de comprar algumas peças, minha tia se lembrou de que tinha que comprar um perfume que ela usava, urgentemente.

Chegamos à loja, mais uma vez, como quem não quer nada mais que um simples perfume. Entramos, pedimos o tal perfume. Fomos informados pela atenciosa vendedora de que, se comprássemos mais de cem reais, ganharíamos um chapéu, que lembrava o de certo apresentador australiano de um programa sobre animais. Nisso, minha tia avistou uma nécessaire numa mesa no centro da loja, e ficou sabendo que ela a ganharia, se comprasse duzentos e cinquenta reais.

_Ótimo – disse ela – duzentos e cinquenta reais e ainda levamos uma nécessaire, que linda essa promoção! – Eu pensei “Nossa, que bom, ela ficou tão irritada que está sendo até irônica! Isso significa que nós vamos embora logo, finalmente!”. – O que você tem aí para complementar o preço?

Nada melhor do que ser amado por alguém durante alguns meses e muitos contos. O difícil é ter que aturar ataques consumistas de quem não tem o que fazer quando você, querido leitor, tem, sim, muito que fazer. Digamos que nunca antes na história da minha vida foi tão ruim perceber a não-ironia na fala de alguém.

Depois disso, foram pilhas e mais pilhas de caixas de perfumes, desodorantes, xampus, cremes para a pele, para o rosto, para o nariz, para as unhas, para os cabelos, enfim, para todas as partes do corpo conhecidas e desbravadas até então. Levar ou não levar, eis a questão! O que fazer quando se tem que gastar duzentos e cinquenta reais, mas não se sabe com o que gastar, caro(a) leitor(a)? O que fazer quando as opções chegam ao nível do quase infinito, mas as utilidades para elas são estupidamente limitadas?

Uai, não é obvio, compre aquilo que for mais caro e menos inútil! E, de preferência, para o melhor cumprimento da respeitável atividade de consumo, leve o tempo mais longo que for possível. E, na hora de pagar, ouça o épico discurso da vendedora (que agora já adquire feições irritantes e enjoativas) acerca do bônus que você ganha ao comprar nas lojas daquela rede, podendo trocá-lo por chaveiros, pingentes de celular, protetores de ouvido e, ouçam só, até um incrível porta-controle-remoto!

E tudo isso por uma nécessaire estúpida. Ainda bem que não era meu dinheiro.